Prateleiras

sábado, 20 de março de 2010

Leia o livro, veja o filme, ouça a música: Saga "As Cruzadas" de Jan Guillou

Quem me conhece sabe que não resisto a um bom livro com temática histórica, principalmente aqueles ambientados no século XII, que foi a época em que o movimento das Cruzadas atingiu seu ápice. Pois bem, foi assim, através dessa minha paixão, que acabei descobrindo essa série belíssima e maravilhosamente bem escrita pelo sueco Jan Guillou.


São três livros iniciais, que compoem a trilogia "As Cruzadas" mais um "complementar", por assim dizer, chamado "O Legado de Arn".

Mistura de história e ficção, os livros são perfeitamente ambientados, contados numa narrativa onipresente, como se um bardo sentasse a nossa frente e começasse a relatar a incrível saga do cavaleiro Arn de Göthia, desde antes de seu nascimento.

Repletos de informações profundamente pesquisadas, ricos em imagens e descrições que nos levam para "dentro" da história, os livros dessa série me encantaram, ao ponto de ler todos os tres primeiros em menos de quinze dias. E são três livrões, de mais de 500 páginas cada um! Mas leitura boa é assim mesmo. Você nem percebe o volume, só reza para não acabar, porque está ótimo!

No primeiro livro, chamado "A Caminho de Jerusalém", e que tem início em 1150, somos apresentados a aldeia de Arnäs, uma localidade no interior da Suécia. Lá vivem Sigrid e Magnus, casal descendente das mais tradicionais e influentes linhagens suecas. Arn é o filho mais jovem e muito amado de Sigrid. Após um acidente, em que o menino praticamente volta dos mortos, a senhora Sigrid o promete a Igreja em agradecimento por sua vida ter sido poupada.

O menino Arn é entregue aos cuidados dos monges cistercienses (um dia falo para vocês sobre esta fantástica ordem religiosa)  e vai morar no mosteiro de Varnhein. Lá recebe a mais primorosa educação, tanto secular quanto monástica, e conhece o irmão Guilbert, que percebe seu talento para a guerra e passa a treiná-lo no uso das armas. Logo se percebe que o jovem não tem inclinação para a vida monástica e sim, para a cavalaria. Os monges então passam a aspirar para Arn um futuro como cavaleiro defensor da Fé, na Terra Santa.

Arn, no entanto, não está a par desses planos. E aos 17 anos, numa visita a sua casa, acaba envolvido numa das inúmeras tramas políticas e intrigas entre os clãs. Também acaba por conhecer duas irmãs, que disputam seu amor. E numa pérfida armação, o jovem acaba sendo condenado a uma penitência de 20 anos servindo como Templário na Terra Santa.

O segundo livro, "O Cavaleiro Templário", tem início em 1177. Arn de Göthia, agora cavaleiro respeitado e temido - porém tido como muito justo e correto - é conhecido entre os sarracenos como Al-Ghouti. Num incidente, Arn acaba por salvar Saladino - sem saber quem ele é, ou imaginar que um dia se tornaria o maior inimigo do Reino de Jerusalém - de um grupo de bandoleiros. Arn agora tem 27 anos e comanda uma guarnição em Gaza.

Na Suécia, seu grande amor, Cecilia, foi condenada a viver reclusa também por 20 anos, no mosteiro de Gudhem, onde a perversa madre superiora - filha de um clã inimigo -  faz de tudo para infernizar sua vida. É o livro, a meu ver, mais denso e mais triste da trilogia. Os padecimentos de Cecília são muitos, mas sua força e sua fé em Arn e no amor dos dois a mantém viva.

O terceiro livro "O Novo Reino" retrata a volta de Arn para casa, sua luta para poder ficar com sua amada Cecília, o reencontro com sua terra e seus parentes. E também o choque que as inúmeras inovações tecnológicas que ele trás da Terra Santa causa sobre a vida cotidiana e a organização do reino. É um livro rico em informações e curiosidades, além de ser repleto de romance, intrigas e reviravoltas.

"O Legado de Arn" é o quarto livro da saga, lançado alguns anos depois dos tres primeiros, considerado pelo autor o desfecho da trama. Ele se passa entre 1210 e 1266, anos após a morte de Arn. Ele retrata a vida do neto de Arn, Birger Magnusson, que ficou conhecido posteriormente como Birger Jarl (pronuncia-se biriere iarle). Birger foi um cavaleiro popular, general feroz e estadista ferrenho, fundador de Estocolmo e unificador do reino da Suécia. Cheio de recordações dos livros anteriores, e de reflexos de tudo aquilo que Arn de Göthia fez, tanto pelos folkeanos tanto pela Suécia como um todo, é o fechamento perfeito para esse épico de Jan Guillou!


Veja o(s) filme(s):

Lançado no Natal de 2007, considerado o filme mais caro da história da Suécia, Arn Tempelriddaren - Arn - O Cavaleiro Templário - é o primeiro filme baseado na trilogia de Jan Guillou. Dirigido pelo sueco Peter Flinth, com roteiro de Hans Gunnarsson. No elenco estão Joakim Nätterqvuist no papel de Arn, Sofia Helin como Cecilia, Stellan Skarsgård como Birger Brosa e Milind Soman como Saladino.

Como é óbvio, o filme é beeeem resumido com relação aos livros. Detalhes do cotidiano, da infãncia de Arn e de sua vida no mosteiro, são excluídos sem, no entanto, prejudicar o entendimento da trama, nem estragar a história que é contada no livro.
Este primeiro filme engloba os dois primeiros livros da trilogia (até a metade do segundo, mais ou menos) e por isso, muitos detalhes, principalmente das guerras entre os clãs, ficaram de lado. Ele conta da infância de Arn até o "início" de sua volta para casa.
A fotografia é belíssima, as cenas são muito bem escritas, ricas em sentimentos, planos fechados, olhares e falas subentendidas. Joakim Nätterqvuist ficou muito bem no papel de Arn, tanto pelo tipo físico - pois o Arn de Jan Guillou não faz o estilo "macho-alfa" - quanto pela interpretação contida do jovem que tem dentro de si o conflito entre sua habilidade para matar e a alma de um pacificador. Sofia Helin faz uma Cecilia doce, terna, forte e inabalavelmente fiel ao seu amor. Mesmo sob os maiores sofrimentos, ela jamais se deixa alquebrar, confiante de que Arn voltará para buscá-la.
Destaque também para Stellan Skarsgård no papel de Birger Brosa, o conselheiro do rei, líder dos folkeanos - a família de Arn - e um dos maiores articuladores da unificação dos três reinos que formaram a Suécia.



O segundo filme foi lançado em 2008. Arn - Riket Vid Vägens Slut - Arn - O Reino ao Fim da Jornada - e tem basicamente o mesmo elenco, com alguns acréscimos. Nele é contada a volta de Arn para casa, seu reencontro com Cecília e a luta dos dois para ficarem juntos, após tanto tempo de separação. (a cena do reencontro deles é simplesmente emocionante!!!!!)

O filme também mostra o impacto que os novos conhecimentos - e também os imigrantes que Arn trás com eles - terão sobre o cotidiano não só da aldeia de Arn, como também de todo o reino. Numa época em que alianças políticas e lealdades familiares contavam mais do que uma história de amor, Arn e Cecília vão desafiar tudo e todos para poderem obter a recompensa por tantos anos de sofrimento.
Cenas de tirar o fôlego, batalhas espetacularmente bem coreografadas, interpretações primorosas, sem os exageros hollywoodianos, figurino de primeira e fotografia belíssima. Tudo isso somado a uma história espetacular, faz com que esses dois filmes sejam imperdíveis!





Agora, uma novidade: no site IMDB há uma página intitulada 'Arn", com release para 22 de março de 2010. Como o site não dá outros detalhes, e nem consegui descobrir mais nada pela net, fica a pergunta: será que vai rolar mais uma continuação? O quarto livro, talvez? [Drica cruzando os dedinhos]



Ouça a Música:


Propositalmente não comentei sobre a trilha sonora dos filmes, pois havia reservado um lugar exclusivamente para ela. Assim como sou aficcionada por filmes e livros épicos, também adoro suas trilhas sonoras, que geralmente nos fazem entrar totalmente no clima da história.

Com Arn não foi diferente. Mesmo longe de nomes consagrados de Hollywood, como Harry-Gregson Williams e Howard Shore, a trilha original de Arn não deixou nada a desejar. Muito pelo contrário. Composições bonitas, vigorosas quanto tem que ser, tensas quando as cenas pedem, suaves quando o filme fala sobre o amor de Arn e Cecilia.

Criada pelo compositor finlandês Tuomas Kantelinen, a trilha do primeiro filme tem 23 faixas especialmente compostas para o épico. Destaque para Snö, primeira faixa com vocais de Laleh. Lindíssima!


Para o segundo filme, a trilha também foi composta por Kantelinen. A curiosidade aqui fica por conta dos vocais de Marie Fredriksson, vocalista do Roxette. Infelizmente não consegui a capa do segundo Cd para postar no blog. Vou ficar devendo essa.

Outra infelicidade é que, se você quiser ouvir as músicas, vai ter que viajar para a Europa ou baixar nos torrents da vida. No único site em que achei o CD a venda, eles não aceitavam encomendas do Brasil, snif... [ah, eu baixei, rsss]


Espero que tenham gostado do post. Ótimo sábado para vocês.

BJS da Drica ;-)

4 comentários:

Tatiana disse...

Drica vc esta se superando....

bjkas

Drica_BT disse...

Ah, tati! assim vai me deixar sem graça, rsss

Bia Carvalho disse...

Olá!
Estou aqui para apresentar meu novo blog especializado em Suspenses Românticos, tanto os de banca quanto os de livraria.

Amor, mistério & Sangue

Espero que goste!

Bjs
Bia

Nicolle disse...

Meninaaa tô com esse livro " As cruzadas" Na fila pra ler tem um tempãoooo.... Vou já me agarrar com ele!!