Prateleiras

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Por dentro do Clube de Autores

Aqui no blog já citamos várias vezes o trabalho do site "Clube de Autores". Falamos sobre o self-publishing, sobre publicação on-demand e sobre como isso abriu novas portas para autores desconhecidos do grande público. A maioria dos leitores também já sabe que publiquei meus livros através desse sistema, e que venho conseguindo boa aceitação e uma visibilidade ímpar no mercado com investimento praticamente zero.
Mas, de quem foi a brilhante idéia de criar o Clube e tornar mais acessível no Brasil um sistema que já se consolidou no exterior através de sites como o Lulu.com? Como surgiu o Clube de Autores?
Para saciar nossa curiosidade, fui atrás do pessoal do Clube. Cara de pau como sempre (daquelas que usa óleo de peroba como hidratante todos os dias), mandei um e-mail pro pessoal e disse que queria fazer uma matéria com eles aqui  no blog. Nem imaginam o tamanho de meu sorriso quando eles disseram sim!
Aliás, foram todos uns amores. O Ricardo Almeida, diretor-geral da empresa, foi extremamente atencioso e respondeu com muita paciência todas as solicitações que fiz, incluindo uma entrevista via email, que agora reproduzo para vocês na íntegra:

Catalivros - A primeira coisa que todos nós queremos saber é: como foi a "gênese" do Clube de Autores?
Ricardo Almeida: O Clube de Autores nasceu da nossa própria dificuldade, enquanto autores, para conseguir uma editora. Todos aqui temos livros escritos e publicados e passamos por experiências que incluíram conseguir editoras que nos patrocinassem até pagar pela publicação. Em ambos os casos, o desagste é grande - tanto em negociações quanto em desembolsos e até em recebimentos - pois os direitos autorais costumam vir de maneira atrasada e sem nenhuma comprovação efetiva de sua veracidade.
Nós nunca fomos do mercado editorial - as duas empresas que fazem o Clube, o I-Group e a A2C, são empresas de planejamento estratégico e desenvolvimento Web, respectivamente. Na prática, isso nos facilitou muito o processo de concepção ao nos despir de vícios naturais em qualquer mercado. O que fizemos foi unir a tecnologia que já estava disponível para fazer o que nos parecia óbvio: permitir que todos pudessem contar as suas histórias para o mundo sem precisar, necessariamente, pagar por isso.


Catalivros: - Pesquisando em matérias sobre o Clube, antigas e recentes, vemos a frequente comparação com o site Lulu.com, que já está no ramo há alguns anos. Incomoda esta comparação? Ou serve para estimulá-los a criar novas soluções
Ricardo Almeida: Nós conhecemos o Lulu quando estávamos na fase de planejamento do Clube. Para nós, foi uma excelente oportunidade de ver que o que pensávamos já estava aplicado em outros países. Vimos o que funcionava para eles e o que não funcionava, pesquisamos os modelos e assim por diante. Ou seja: o Lulu - assim como o Bubok e o Blurb, outras empresas do gênero - nos deram boas referências. Por estarmos, de certa maneira, no mesmo negócio, as comparações são inevitáveis - e não nos incomodam em absolutamente nada.
Só que a essência de um projeto como o Clube não é livro - é autor. E autor brasileiro pensa de uma forma diferente do que autor americano ou europeu. O brasileiro tem necessidades diferentes e um modo de pensar diferente - o que faz com que os projetos caminhem em ritmos e direções diferentes.



Catalivros - O que mudou para o Clube desde aquela reportagem da revista Isto É, de 10/06/2009? Ricardo Almeida: Na verdade, tudo começou a mudar para nós depois de uma matéria que saiu na revista Época, em 15/05. Foi a nossa primeira aparição na mídia, seguida pela IstoÉ, G1, Jornal da Globo etc. Consideramos a data de 15/05 como o nosso lançamento oficial, a data em que deixamos de ser "beta" e passamos a ser "alfa". De lá para cá, tudo mudou. Os acessos se multiplicaram, a quantidade de livros tomou uma ascendente acima das nossas expectativas e as vendas decolaram.
Catalivros - E o que mudou para o Ricardo Almeida?
Ricardo Almeida: Em toda a minha vida profissional, eu sempre tive um papel de fornecedor. Ou seja: com o I-Group, nós planejamos projetos para bancos, empresas de telecom, campanhas eleitorais, varejistas e uma vasta gama de corporações de todos os portes. O Clube me colocou do outro lado do balcão, por assim dizer. Além de planejar, me colocou no papel de gestor geral de uma empresa voltada para o público.
Quando isso ocorre, tudo muda. Você sente o pulso do público de uma maneira íntima, trasnparente.
Do lado pessoal, eu diria que o mais importante foi ver nascer e crescer um filho. O Clube de Autores é um sonho que se realiza mais a cada dia, uma operação que se mostra útil, clara. Recebemos mensagens de autores todos os dias dizendo que mudamos as suas vidas, que viabilizamos a realização de seus sonhos e assim por diante. Pessoalmente, não nos coloco em um patamar assim tão elevado - a responsabilidade por um livro estar publicado é sempre do autor, que o escreveu, e não nossa. Temos um papel de coadjuvante - mas, ainda assim, em um ciclo incrivelmente gratificante.

Catalivros - E a AgBook? Ela pertence ao Clube ou é independente, apesar do layout e dos recursos semelhantes? Existem planos de fundir os dois sites num só?
Ricardo Almeida: O AGBook é uma empresa terceira, parceira do Clube, e nunca devemos nos fundir. Nós fornecemos a plataforma tecnológica para eles, que conduzem a operação de maneira própria.
Essa multiplicidade de opções é importante para o autor. Um certo dia um autor nos mandou um email dizendo se estava em dúvida se publicava pelo Clube, pelo AGBook ou pelo Lulu. A minha resposta para ele foi: por que a dúvida? Para que fazer uma escolha quando se pode estar simultaneamente em todos - o que, no mínimo, aumenta a visibilidade da obra pela Web?
Sob este aspecto, sempre aconselhamos os autores a publicar em absolutamente todas as plataformas que ele conseguir - desde que ele possa manter a exclusividade dos direitos sobre a sua obra, como ocorre aqui no Clube. Assim, quanto mais opções existirem, melhor para todos.


Catalivros - O Clube já fez um levantamento dos gêneros literários que são mais publicados pelo site? E dos mais vendidos? Qual foi o resultado?
Ricardo Almeida: Os mais publicados estão no próprio site - sempre mantemos esses números abertos. Os com mais livros são o classificados como "Literatura Nacional", seguidos de "ficção" e "poesia". Não há como dizer um gênero que venda mais - em geral, os livros que mais vendem são os que mais contam com o esforço de divulgação do autor.

Catalivros: - Uma das maiores reclamações/reinvindicações dos autores que publicam pelo Clube - e também dos leitores que querem comprar os livros - é com relação ao preço final do produto. Sabemos que muito já foi foi feito para reduzi-los. E agora, o que o Clube pode fazer para tornar sua publicações mais competitivas, sem comprometer a própria viabilidade? Teremos novos formatos, descontos, prazos, publicações em e-books?
Ricardo Almeida: Tudo o que pode ser feito já foi e está sendo feito - o que inclui, basicamente, uma constante renegociação com fornecedores. Imprimir uma tiragem de milhões de exemplares é diferente de se imprimir um único exemplar, que tem custo muito maior. Na primeira vez que fizemos um orçamento gráfica, para se ter idéia, o preço de 1 livro com 151 páginas ficava em torno de R$ 172! Hoje, o preço de custo é de R$ 28, aproximadamente. É claro que não é tão baixo quanto queremos - mas é o que conseguimos para o momento e está exatamente na mesma média de livros com iguais características em livrarias tradicionais, por pesquisas que fazemos todos os meses em livrarias como Cultura, Vila, Saraiva, Submarino.
Há um outro ponto curioso também: em quase 100% dos casos, os livros que mais vendem são os que os autores colocaram as suas margens de diretos autorais de forma mais elevada. Quase sempre, são os mesmos autores que mais se empenham na divulgação - mas isso nos comprova que preço não é o único componente de venda. Ele é importante, claro - mas há ainda vários outros que, se bem trabalhados, fazem toda a diferença.


Catalivros - Qual a maior dificuldade que vocês já enfrentaram desde que o CA foi lançado? E qual a que vocês ainda enfrentam?
Ricardo Almeida: Fazer a tecnologia andar com a mesma velocidade que as idéias ;-)

Catalivros - Quem faz o Clube?
Ricardo Almeida: Os autores fazem o Clube. Todas as idéias e planos saem deles, expostas no nosso blog, na nossa comunidade do Orkut, no Twitter, Facebook etc. Nós apenas executamos as idéias.

Catalivros - Qual a situação mais estapafúrdia que vocês já enfrentaram nos canais de Atendimento do Clube?
Ricardo Almeida: Nossa..... são muitas. Uma das coisas que sempre brincamos internamente é que os usuários parecem ser teleguiados para o botão "fale conosco" - apesar de tudo já estar descrito no site. Para você ter uma idéia, recebemos cerca de 100 mensagens por mês perguntando onde se deve clicar para se publicar um livro - sendo que há um item no menu principal chamado "Publique seu Livro", um outro explicando isso e chamado "Como Funciona" e dois banners grandes na página principal com textos como "clique aqui para publicar o seu livro".
Mas olha... se eu pudesse isolar uma ocorrência, houve uma senhora que colocou na cabeça que nós éramos o suporte técnico oficial do Orkut. E, sempre que ela tinha dificuldade em criar uma comunidade, ficar amiga de alguem ou coisa parecida, nos mandava emails, posts no nosso blog etc. foram mais de 30 emails dela - que ignorava, solenemente, as nossas respostas dizendo que não tínhamos nada  a ver com o Orkut ;-)


Catalivros - Como é a relação do Clube com as editoras convencionais? Como vocês são vistos por elas? Já sofreram algum tipo de discriminação ou depreciação por não haver uma triagem do que ou de quem publica pelo Clube?
Ricardo Almeida: Nenhuma discriminação ou coisa do gênero. Ao contrário, temos recebido contatos de algumas editoras querendo utilizar o nosso modelo e plataforma para imprimir os livros delas que estiverem com tiragens esgotadas. Estamos negociando com algumas.

Catalivros - Projetos para o futuro: o que o Clube reserva para seus autores e leitores?
Ricardo Almeida: Tudo, absolutamente tudo o que os autores e leitores quiserem. Como disse, é da comunidade que sai as nossas implementações, os nossos planos. Teremos um concurso literário saindo no final do mês, mais possibilidades de customização dos livros, novos formatos, novos preços, mais unidades de retirada (para que os próprios autores peguem os seus pedidos sem precisar pagar frete) e assim por diante. Isso sem falar em ebook, que é um projeto à parte que estamos desenvolvendo aqui.

Catalivros - O que é o Clube para o Ricardo Almeida?
Ricardo Almeida: Um sonho se realizando diariamente.

Catalivros - Gostaria de deixar um recado para os novos escritores e para nossos leitores?
Ricardo Almeida: Sim: escrevam! O maior legado que podemos deixar para as futuras gerações é o nosso conhecimento - e todos temos algo relevante para compartilhar. Deixar isso trancado em uma gaveta quando se pode publicar gratuitamente, hoje, é quase que um crime!

Bem, nós aqui do CataLivros só temos a agradecer ao Ricardo pela entrevista, e ao Clube de Autores por ter aberto uma porta enorme no mercado editorial, que sempre pareceu inacessível para novos - e bons - escritores.
Sucesso!


Para entrar para o Clube:
http://www.clubedeautores.com.br/
Twitter: http://twitter.com/ClubedeAutores

2 comentários:

AnneMarie disse...

Entrevista fantástica! Valeu Ricardo Almeida! Seu sonho está tornando nossos sonhos realidade!

youtube disse...

Olá.
Agradeço os elogios e a divulgação do agBook feita no Blog.
O www.agbook.com.br, da AlphaGraphics, publica livros sob demanda de forma fácil e totalmente gratuita.
O principal objetivo do agbook é apoiar novos escritores brasileiros e ainda oferecer todas as técnicas para que o autor não somente publique o seu livro como também o promova de maneira eficiente.
Coloco meus contatos à disposição para qualquer dúvida pbaiadori@alphagraphics.com.br
Abraços.