Prateleiras

domingo, 13 de junho de 2010

Histórias de Sandro Moreyra - Sandro Moreyra

Em tempo de Copa do Mundo, o Catalivros faz uma postagem especial ligada ao tema mais falado desse país: o futebol. E ainda que eu não seja uma expert no assunto, nem torcedora fanática - embora o Mengão more no meu coração - eu me diverti muito lendo este livro do jornalista e cronista Sandro Moreyra. Aliás, ainda me divirto, pois de vez em quando eu dou uma folheada nele só para dar risadas.
O livro é bem antigo, uma raridade de 1985 (uma edição especial de 12.000 exemplares), e eu não tenho a menor noção de como ele veio parar em minhas mãos. Foi escrito a partir das colunas que Sandro publicava desde 1981 na revista Placar e no Jornal do Brasil e é repleto de histórias da época do futebol arte. Uma coletânea de situações impagáveis envolvendo os personagens clássicos do mundo do futebol: o jogador interiorano e ingênuo, o técnico tacanho, o comentarista sem noção, o "cartola", o coronel, o juiz, a mãe do juiz...
"Jogavam o Tinguá e o Esperança, briosas equipes do interior cearense. Soprando o apito o presidente do Tinguá, coronel Fagundes, aliás promotor do amistoso, parte das festanças comemorativas de seus 60 anos. Jogo duro, igual até a meia hora do segundo tempo. Aí o Esperança tomou conta do campo, obrigando o coronel a usar e abusar de uma parcialidade escandalosa.
E eis que, aos 42 minutos, o centroavante visitante dribla os zagueiros e parte veloz para o gol. Silva o apito do coronel.
- O que foi ? - perguntam os do Esperança.
- Excesso de velocidade.
- Mas isto não existe!
- Passa a existir. Vocês são bestas? Então pensam que eu convido, pago o ônibus, dou almoço, cachaça e cerveja para depois deixar saírem daqui calmamente com a taça comprada também com o meu dinheiro? Ora sebo!"

Muitas das histórias são verídicas, outras realmente deixam dúvidas se são fatos ou apenas causos. Uma das personalidades mais citadas no livro é Mané Garrincha. Além dele, Sandro faz a gente matar as saudades de figuras antológicas como Pelé, Feola, Marinho e Manga, os radialistas Mário Vianna e Waldir Amaral e Ari Barroso que, além de compositor e Flamenguista doente, também foi locutor esportivo.
Sandro Moreyra era filho do poeta e jornalista Álvaro Moreyra e de Eugênia Moreyra, uma das primeiras militantes do feminismo no Brasil. O cronista era pai da jornalista da Rede Globo, Sandra Moreyra, e morreu em 1987. No filme Garrincha, A Estrela Solitária, seu personagem foi interpretado pelo ator Henrique Pires.

FICHA TÉCNICA:
Histórias de Sandro Moreyra
Editora JB, 1985

127 páginas

SINOPSE:
Sandro Moreyra foi um brilhante jornalista esportivo carioca.
Sandro escrevia uma coluna diária muito lida no Jornal do Brasil. Jornalista divertido e irreverente, ficou famoso escrevendo histórias, onde seus personagens favoritos eram dirigentes, treinadores e jogadores de futebol.
A ignorância do goleiro Manguinha e a ingenuidade de Mané Garrincha eram assuntos quase que diários em suas crônicas.
Amigo íntimo de Nelson Rodrigues e João Saldanha, fazia parte da resenha esportiva Facit, a mais famosa mesa redonda da TV
.

2 comentários:

AnneMarie (LadyApfel) disse...

Nossa, esse livro deve ser muito bom mesmo. Apesar de tb não ser fã de futebol, ri muito com o trecho que vc postou, Drica!

BJUS

eli disse...

Eu adoro futebol, até ganhei o bolão da copa, mas eu fico só imaginando a mesa redonda com essa trinca maravilhosa Joâo Saldanha, Nelson Rodrigues e Sandro Moreyra, maravilhosa, parabeéns pela postagem trecho, maravilhoso!