Prateleiras

domingo, 15 de agosto de 2010

Estou lendo: "Mulher de Pedra"

Tariq Ali
Quem conhece um pouco do meu profile sabe que eu arrasto um trem pelo escritor paquistanês Tariq Ali. Sua visão crítica e sua ironia fina me conquistaram desde a primeira linha. Por isso eu não sosseguei enquanto não comprei o livro que faltava para completar a série "Quinteto Islâmico", que até agora tem 4 livros publicados. (Como é, Tariq? Cadê o quinto???).
"Mulher de Pedra" retrata o ocaso do Império Otomano através dos olhos de Nilofer, filha de uma família de aristocratas turcos. A cada parágrafo o livro me envolve e emociona. Vou colocar um trecho especialmente cativante que li ontem; uma conversa de Sara com a Mulher de Pedra - a estátua que serve de confessionário à seguidas gerações de mulheres da família de Iskander Pasha.
"Ontem eu vi Suleman num sonho.Não sonhava com ele há quase vinte anos, Mulher de Pedra. Você se lembra quando vim aqui pela primeira vez? Eu ainda era jovem. Trazia no peito uma grande dor e uma filha que me sugava o leite. Nilofer tinha uns sete ou oito meses. Lembro-me de ter vindo aqui chorar aos seus pés. Sei que você não tem pés, mas, se algum dia eles tivessem existido, teria sido aí que chorei naquele dia. Pensei tê-la ouvido falar. Uma voz me perguntou porque chorava e lembro-me de ter dito: 'O homem que eu amo partiu para muito longe.' E então ouvi sua voz me dizer uma coisa muito triste e muito bonita: 'O amor é a saudade que a flauta sente do juncal de onde foi arrancada. tente esquecer.' Eu tentei, mas jamais consegui esquecê-lo. Acabei, contudo, acostumando-me com a ausência dele. O tempo não é capaz de curar nossas feridas mais profundas, mas consegue amenizar a dor."
Bem, vou continuar a leitura. Quando terminar, posto aqui uma resenha completa. Até agora, estou amando.

BJS da Drica ;-)

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