Prateleiras

domingo, 13 de junho de 2010

Crônicas – A degustação

No post AQUI, comentei sobre o livro “A longa marcha dos grilos canibais e outras crônicas sobre a vida no planeta Terra”, de Fernando Reinach, e AQUI sobre a aquisição dele.

Comecei a ler lentamente o livro. Digo lentamente, porque, LongaMarcha sendo um conjunto de crônicas é o tipo de leitura de cabeceira que você vai degustando aos poucos. Cada dia uma crônica. Cada dia uma reflexão.

Os textos são curtos – em torno de 2 páginas por crônica; um apanhado publicado pelo autor nas colunas semanais do jornal O Estado de S. Paulo, entre 2004 e 2009.

O livro é dividido em onze capítulos ou, pode-se dizer, onze grandes temas: Ambiente; Florestas; Sexo; Comportamento; Mente; Humano; Passado; Arte; Alimentação; Tecnologia; e Política.

Essa organização permite que o leitor escolha qual a temática deseja ler e, por consequência, qual a crônica com que vai se deleitar. Gostei desse formato, pois posso ler sem qualquer preocupação, a não ser o de aproveitar aquele momento de conhecimento e diversão.

Digo isso porque os textos são curiosos, com informações científicas na medida certa para dar aquele quero-saber-muito-mais-então-vou-procurar. Seu formato não tem nada de pedante, típico dos textos excessivamente técnicos, nos quais somente os que estudam/trabalham na área conseguem desvendar.  Quem é acostumado e ler artigos científicos perceberá que as crônicas possuem o mesmo “corpo”, mas sua linguagem é legível a todas as pessoas. Desse modo, Fernando Reinach oportuniza ao grande público entender a ciência num contexto rico, interessante e acessível.

Mesmo com textos curtos, Reinach consegue apresentar os experimentos e seus resultados (inclusive citando a fonte no final de cada crônica para maiores informações) e as conclusões de seu prório raciocínio (na apresentação do book, o autor se refere aos seus “delírios da imaginação”…rs). 

Dois exemplos desses delírios que considerei muito racionais:

“É a prepotência do bicho-homem, que descobriu a ética, a ecologia e sofre da culpa de estar alterando os ambientes em que vive. Nossas tentativas de manipular ecossitemas complexos são provavelmente inúteis. Assim como os furacões, o instinto de reprodução e a competição entre as espécies são forças poderosoas demais para ser controladas. Se desejamos restingir nosso impacto no planeta, o melhor é controlar o número de humanos  suas atividades predatórias. O erro é acreditar que nossa capacidade de destruir ecossistemas nos habilita a controlar a interação entre os seres vivos e o meio ambiente.” (Tema: Ambiente - Crônica: Extermínio em curso no Pacífico, pg 17)

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“Ao contrário dos computadores, que a cada ano ficam melhores e mais baratos, os medicamentos, a cada ano, se tornam melhores e mais caros. Enquanto a sociedade acreditar que uma vida não tem preço, as companhias farmacêuticas vão continuar a sustentar que um remédio novo, potencialmente melhor, também não tem preço.

Quanto você acha que a Intel cobraria por uma nova versão de seus processadores se a sociedade acreditasse que um aumento na velocidade do computador, por menor que fosse, não tivesse preço?”(Tema: Política - Crônica: Dar valor à vida, em reais, pg 372)

São abordagens que você pode concordar ou não, mas com certeza fará você dar aquela parada para pensar no assunto.

Finalizando. Quem deseja um livro interessante, curioso, versátil – afinal, ele trata desde ambiente até política – para ler, precisa olhar mais de perto a edição de “A longa marcha dos grilos canibais e outras crônicas sobre a vida no planeta Terra”, Fernando Reinach. #ficadica

Abraços carinhosos,

Lady Apfel

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