Apaixonante. Intrigante. Bela. Assustadora. Fantástica. Um mistério até para si mesma, conforme se descrevia. Assim era Clarice Lispector, nascida Haia numa cidadezinha da Ucrânia chamada Chechelnik, enquanto a família fugia da Rússia e da fúria da Revolução.
Escritora desde que aprendeu a ler, Clarice publicou seu primeiro livro aos 19 anos, "Perto do Coração Selvagem" e desde então vem surpreendendo sucessivas gerações de leitores com sua escrita atemporal.
Hoje tive o prazer de "ver" Clarice no palco do Theatro Central, aqui em JF, magnificamente personificada por Beth Goulart no monólogo "Simplesmente Eu, Clarice Lispector".
Escrita e dirigida pela atriz, que interpreta a autora e quatro de suas personagens, - Joana, de "Perto do Coração Selvagem"; Ana, do conto "Amor"; Lóri, de "Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres"; e uma outra mulher sem nome, do conto "Perdoando Deus" - a peça é uma viagem ao fundo da alma de Clarice Lispector e de nós mesmos.
Construído sobre os textos da escritora, - contos, poemas, cartas e entrevistas - o monólogo é vibrante de emoções, que vão da esfuziante alegria a mais profunda depressão. Beth Goulart dá um show de interpretação, não permite nenhum momento de cansaço ou tédio (eu mal vi o tempo passar!) e prova o porquê de ter arrebatado o Prêmio Shell de Melhor Atriz com a peça.
Se a peça for a sua cidade, NÃO PERCA!
BJS da Drica ;-)
Escritora desde que aprendeu a ler, Clarice publicou seu primeiro livro aos 19 anos, "Perto do Coração Selvagem" e desde então vem surpreendendo sucessivas gerações de leitores com sua escrita atemporal.
“Eles queriam fruir o proibido. Queriam elogiar a vida e não queriam a dor que é necessária para se viver, para se sentir e para amar. Eles queriam sentir a imortalidade terrífica. Pois o proibido é sempre o melhor. Eles ao mesmo tempo não se incomodavam de talvez cair no enorme buraco da morte. E a vida só lhes era preciosa quando gritavam e gemiam. Sentir a força do ódio era o que eles melhor queriam. Eu me chamo povo, pensavam.”(Clarice Lispector)
"De Ulisses ela aprendera a ter coragem de ter fé – muita coragem, fé em quê? Na própria fé, que a fé pode ser um grande susto, pode significar cair no abismo, Lóri tinha medo de cair no abismo e segurava-se numa das mãos de Ulissses enquanto a outra mão de Ulisses empurrava-a para o abismo - em breve ela teria que soltar a mão menos forte do que a que a empurrava, e cair, a vida não é de se brincar porque em pleno dia se morre. A mais premente necessidade de um ser humano era tornar-se um ser Humano." (Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres)
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Beth em cena no Theatro Central - JF |
Escrita e dirigida pela atriz, que interpreta a autora e quatro de suas personagens, - Joana, de "Perto do Coração Selvagem"; Ana, do conto "Amor"; Lóri, de "Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres"; e uma outra mulher sem nome, do conto "Perdoando Deus" - a peça é uma viagem ao fundo da alma de Clarice Lispector e de nós mesmos.
Construído sobre os textos da escritora, - contos, poemas, cartas e entrevistas - o monólogo é vibrante de emoções, que vão da esfuziante alegria a mais profunda depressão. Beth Goulart dá um show de interpretação, não permite nenhum momento de cansaço ou tédio (eu mal vi o tempo passar!) e prova o porquê de ter arrebatado o Prêmio Shell de Melhor Atriz com a peça.
Se a peça for a sua cidade, NÃO PERCA!
BJS da Drica ;-)
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