Prateleiras

domingo, 20 de novembro de 2011

Mistério da Noite - Nora Roberts

Fazia tempo que eu não resenhava aqui um livrinho de banca. Então, para quem andava com saudade, lá vai.
"Mistério da Noite" foi uma boa surpresa. Depois de uma maré de pouca sorte com os livros da Harlequin, peguei este para passar o tempo. Sem muitas expectativas. Desta vez a revisão estava razoável, o que ajudou muito na leitura. 
A história é boa, bem estruturada e, tirando alguns trechos evidentemente editados/mutilados (quando é que as editoras vão perder essa mania, hein?) prende bastante a atenção do leitor. 
O pano de fundo para o romance entre Maggie e Cliff é um assassinato ocorrido há dez anos na pacata cidadezinha para onde a protagonista se mudou. Ela é uma compositora famosa, filha de celebridades, que está em busca de paz e sossego para compôr a trilha sonora de um musical.  E também para superar o fim trágico de seu casamento.
A trama é praticamente toda focada em Maggie, o que deixa o empreiteiro Cliff meio inexpressivo, superficial até. Como é um livro originalmente escrito em 1985, não esperem cenas muito hot. A coisa fica mais na insinuação, sem descrições vívidas. Apesar disso, há muito romantismo. 
Não é a toa que Nora Roberts fez fama. Lendo seus livros antigos, a gente percebe o quanto ela sempre escreveu bem, mesmo quando era apenas uma iniciante.

Mistério da Noite - Série Noturna
(Night Moves - Night Tales)
298 páginas
Harlequin Books 
Série Rainhas do Romance #35

sábado, 19 de novembro de 2011

Amante Consagrado JR Ward

Eu estava curtindo a ressaca do Vishous quando encarei "Amante Consagrado".  Talvez por isso tenha começado a leitura com o pé meio atrás. A decepção com o livro anterior havia sido grande. 
Não posso dizer que este tenha sido um dos melhores livros da irmandade. Mas, mesmo assim, foi surpreendentemente mais agradável, e melhor, do que o anterior. 
Phury sempre foi um dos Irmãos "secundários", sempre ficou meio escondidinho. A maior referência de Phury era ser "o irmão de Zsadist". E também o seu salvador. E é daí, desse papel secundário, à sombra, que vem o perigo.
Logo de início se percebe que Phury chegou ao fundo do poço. Descontrolado, ele está sofrendo pressão por todos os lados. Assumiu o posto de Primaz, originalmente destinado a Vishous, mas não consegue se relacionar com Cormia e cumprir seu papel. Continua apaixonado por Bella, a shellan grávida de seu irmão, e é obrigado a conviver com o casal todos os dias. Está cada vez mais dependente das drogas, e sua diversão atual é torturar redutores, colocando a si mesmo e aos outros irmãos em risco, durante as caçadas. [Que feio, Phury...] Espelhando a confusão interior do nosso não-tão-herói, temos o "Mago"; uma espécie de alter ego maligno que vive na cabeça de Phury, e que tem como objetivo primordial na vida ferrar com o cara. Na verdade, o Mago nada mais é do que o conjunto de toda culpa, raiva, revolta e até mesmo inveja (!) que o moço reprimiu a vida inteira. A coisa fermentou, cresceu e bum!, explodiu. (quem é favor de contratar uma terapia de grupo pra Irmandade levanta a mão).
Cormia, a "mocinha", ficou um pouco perdida no meio de toda essa densidade dos conflitos de Phury. Mas não teve nada que me fizesse antipatizar com ela. Pelo contrário. Sua amizade com o sofrido John nos brinda com momentos muito doces e delicados, que amenizam o clima barra pesada da história.
Gostei também de ver que a autora, mais uma vez, fugiu do óbvio, evitando explorar a deficiência física de Phury e usá-la como justificativa primeira para todas desgraças dele.
Bem, paralelo a isso temos o drama da gravidez difícil de Bella; o cada vez mais frágil equilíbrio entre a glymera e o Rei Wrath; e as dificuldades de John, Quinn e Blay com a fase pós-transição, a sexualidade e o pentelho do Lash (ô praga!). Falando nisso, nesse livro ele vai arranjar uma confusão que vai repercutir no destino de TO-DOS (cala-te boca, senão vira spoiller...). 
Preparem seus lencinhos. Teremos cenas muuuuito emocionantes, teremos tragédias chocantes, revelações surpreendentes, personagens novos e a preparação para as grandes revoluções que virão com o livro do Rehvenge, "Amante Vingado".
O que falta em ação em "Amante Consagrado", sobra em revelações e emoções. Não é J R Ward em sua melhor forma, mas já é uma boa recuperação.


Amante Consagrado (IAN #6)
J R Ward
Universo dos Livros, 2011
547 páginas
Preço (média) R$ 36,00

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Titília e o Demonão - Paulo Rezzutti

Em uma das minhas inocentes visitas a livraria - uma daquelas em que "entrei só para olhar" - já ia saindo com a sacola recheada com três livros. Porém, (sempre tem um "porém") meus olhos de lince pousaram sobre uma capa colorida, meio kitsch. Atenção capturada, deixei a fila do caixa e voltei a estante. Era um exemplar de "Titília e o Demonão". Como eu já conhecia as duas ilustres alcunhas, fiquei curiosa. O somatório de História e Literatura sempre me excita. Ui! Larguei a sacola no chão e comecei a ler a orelha do livro. Introdução, prefácio... Bem, o resto é História. Devorei o livro em dois dias, saboreando a descoberta fantástica de Paulo Rezzutti. Curiosos?
Reza a lenda que esse intrépido historiador tupiniquim, seguindo seu "faro de sabujo", como bem o classificou Paulo Schmidt, descobriu num obscuro museu americano nada menos do que 94 cartas inéditas, trocadas entre Domitila de Castro, a Marquesa de Santos, o Imperador, Dom Pedro I. A partir destes documentos, reconstruiu o romance mais famoso de que se tem notícia nessas terras tropicais.
Paixão, ciúme, intrigas, presentes dispendiosos, passagens secretas, tramas políticas, assassinatos, filhos ilegítimos, viagens suspeitas, guerra pelo poder... Tudo isso extraído de cartas, muitas vezes apaixonadas, repletas de declarações de amor como esta: 
"Ontem mesmo fiz amor de matrimônio para que hoje, se mecê estiver melhor e com disposição, fazer o nosso amor por devoção (carta 9)".
Noutras, são correspondências prosaicas, bilhetes até, que descrevem presentes trocados, ou pedem notícias da saúde dos filhos ilegítimos que o casal de amantes teve.
As descobertas de Rezzutti desvendam o começo tórrido, o desenrolar apaixonado e ciumento e o fim melancólico do romance mais famoso da História do Brasil. Apresentam a face mais humana de Pedro I, que é esquecida pelos livros, obscurecida pelo mito do Imperador. E redimem Domitila de muitos dos pecados a ela atribuídos.
Leitura prazerosa, linguagem acessível, sem ser pobre nem descuidada, excelente tratamento gráfico e com muitas referências e notas explicativas, é um livro indispensável para quem quer saber um pouco mais sobre nossa verdadeira História. Recomendadíssimo.

FICHA TÉCNICA:
Titília e o Demonão: cartas inéditas de Dom Pedro a Marquesa de Santos.
Paulo Rezzutti
Geração Editorial, 2011
352 páginas
Prefácio Paulo Schmidt
Preço (média) R$ 40,00