Prateleiras

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Vencedores do concurso de resenhas

Oi pessoal!

Finalmente retornei ao mundo internético, depois de um longo período sem net em casa.

Para comemorar, apresento aqui a notícia postada ontem (30/08/2010 às 8:12) no site da Veja, divulgando os vencedores do concurso de resenhas.

Segue a notícia na integra:

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Fim do suspense. A banca de especialistas do concurso cultural Resenhando no blog Meus Livros elegeu as quatro resenhas vencedoras da disputa. Elas receberão, de acordo com a colocação: uma caixa de filmes fornecida pela parceira Livraria Cultura (quarto lugar); livros lançados na Flip deste ano (oferecidos pela própria Flip, também parceira do concurso; para o terceiro posicionado); uma coleção completa de clássicos da Abril Coleções (segundo lugar) e um leitor digital Kindle (primeiro colocado).

A banca de especialistas foi composta por Alcir Pécora, professor de teoria literária da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), pelo jornalista e escritor Jerônimo Teixeira, editor de VEJA, e por Carlos Graieb, editor-executivo de VEJA.com. Clique aqui para ver o resultado da votação popular, que antecedeu a dos especialistas. Para reler o regulamento, clique aqui.


Vencedores:

1º lugar: ‘Amanhecer’, por Carolina Pavanelli

2º lugar: ‘Cem Anos de Solidão’, por Naiara Costa

3º lugar: ‘Amanhecer’, por Eduardo Mesquita Cabrini

4º lugar: ‘Ensaio sobre a Cegueira’, por Zanine Tomé

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/meus-livros/veja-meus-livros/conheca-os-vencedores-do-concurso-de-resenhas/

Clarice Vai ao Teatro

Apaixonante. Intrigante. Bela. Assustadora. Fantástica. Um mistério até para si mesma, conforme se descrevia. Assim era Clarice Lispector, nascida Haia numa cidadezinha da Ucrânia chamada Chechelnik, enquanto a família fugia da Rússia e da fúria da Revolução.
Escritora desde que aprendeu a ler, Clarice publicou seu primeiro livro aos 19 anos, "Perto do Coração Selvagem" e desde então vem surpreendendo sucessivas gerações de leitores com sua escrita atemporal.
Eles queriam fruir o proibido. Queriam elogiar a vida e não queriam a dor que é necessária para se viver, para se sentir e para amar. Eles queriam sentir a imortalidade terrífica. Pois o proibido é sempre o melhor. Eles ao mesmo tempo não se incomodavam de talvez cair no enorme buraco da morte. E a vida só lhes era preciosa quando gritavam e gemiam. Sentir a força do ódio era o que eles melhor queriam. Eu me chamo povo, pensavam.”(Clarice Lispector)

"De Ulisses ela aprendera a ter coragem de ter fé – muita coragem, fé em quê? Na própria fé, que a fé pode ser um grande susto, pode significar cair no abismo, Lóri tinha medo de cair no abismo e segurava-se numa das mãos de Ulissses enquanto a outra mão de Ulisses empurrava-a para o abismo - em breve ela teria que soltar a mão menos forte do que a que a empurrava, e cair, a vida não é de se brincar porque em pleno dia se morre. A mais premente necessidade de um ser humano era tornar-se um ser Humano." (Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres)
Beth em cena no Theatro Central - JF
Hoje tive o prazer de "ver" Clarice no palco do Theatro Central, aqui em JF, magnificamente personificada por Beth Goulart no monólogo "Simplesmente Eu, Clarice Lispector".
Escrita e dirigida pela atriz, que interpreta a autora e quatro de suas personagens, - Joana, de "Perto do Coração Selvagem"; Ana, do conto "Amor"; Lóri, de "Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres"; e uma outra mulher sem nome, do conto "Perdoando Deus" - a peça é uma viagem ao fundo da alma de Clarice Lispector e de nós mesmos.
Construído sobre os textos da escritora, - contos, poemas, cartas e entrevistas - o monólogo é vibrante de emoções, que vão da esfuziante alegria a mais profunda depressão. Beth Goulart dá um show de interpretação, não permite nenhum momento de cansaço ou tédio (eu mal vi o tempo passar!) e prova o porquê de ter arrebatado o Prêmio Shell de Melhor Atriz com a peça.
Se a peça for a sua cidade, NÃO PERCA!


BJS da Drica ;-)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Google diz que há cerca de 130 milhões de livros no mundo

Você, leitor, é capaz de contar quantas estrelas há no céu? E os grãos de areia da Praia de Copacabana? E a quantidade de livros que há no mundo? O Google Books, divisão do site de buscas pela internet, arriscou um cálculo e uma resposta para a última pergunta. De acordo com o Google, há 129.864.880 unidades no mundo, distribuídos pelos cinco continentes.
O obejtivo do Google Books é promover a digitalização de todos os livros publicados no planeta, desde a "Bíblia" até o último lançamento de Paulo Coelho. Segundo postou no blog do site o engenheiro de software Leonid Taycher, o método usado para o cálculo foi a reunião de informações de fontes como bilbiotecas, livrarias e catálogos. Depois da filtragem de dados para evitar repetições, a equipe responsável pela soma organizou cada unidade pelas características: como nome do livro, autor, editora e ano de publicação. O resultado: 129.864.880.
Foram excluídos da conta publicações que não foram consideradas livros, como microfilmes e mapas.

Fonte:  http://www.sidneyrezende.com/noticia/96647+google+diz+que+ha+cerca+de+130+milhoes+de+livros+no+mundo

domingo, 22 de agosto de 2010

Leitura que vem do berço

Especialistas defendem que pais leiam para filhos a partir dos 6 meses, porque melhora a porque melhora a cognição e o desempenho escolar

Publicada em 21/08/2010 às 23h14m - Simone Intrator - O Globo


RIO - Ler ou não ler para o bebê, eis uma questão que David Dickinson, doutor em educação pela Universidade de Harvard, e Perri Klass, pediatra, escritora e professora de pediatria e jornalismo da Universidade de Nova York, garantem saber responder. Sim, deve-se ler e muito, a partir dos 6 meses de vida, mas sem deixar os olhinhos do neném arregalados com a maluquice de Hamlet ou as desgraças de Rei Lear. A recomendação dos super-especialistas é incluir, em meio à troca de fraldas, a mamadeiras, passeios e choros, o folhear diário das páginas de um livro apropriado para aquela faixa etária, cheio de cores e figuras (hoje não faltam opções nas prateleiras). Para eles, esta é a melhor forma de desenvolver a inteligência da criança e a sua linguagem oral e escrita, preparando-a para a alfabetização e aprimorando sua capacidade de aprender. LER MAIS

Na era do e-book, indústria aposta no livro de papel

SÃO PAULO - Embora o mercado editorial ainda seja um nicho para grandes indústrias, a disputa pelo fornecimento de produtos específicos ao setor mostra uma mudança na balança de interesses das fabricantes em papel para impressão. Aos poucos, os livros para leitura "recreativa" ganham parte da atenção antes voltada aos didáticos, que garantem volumes maiores.
Para Tadeu Souza, diretor comercial da MD Papéis, o investimento nos papéis off-white se explica pelo fato de o espaço para o crescimento do mercado editorial ser bem maior. "O Brasil produziu 380 milhões de livros no ano passado, o que é menos de 2 livros por habitante. Há um espaço enorme de crescimento. Já os livros didáticos vão se expandir somente com a população, que hoje cresce menos", argumenta.
O executivo prevê vendas até 7% maiores para o segmento de papel para imprimir e escrever em 2010. Ele também descarta que os e-books venham a atrapalhar o desempenho das vendas para as editoras. "Os livros eletrônicos não substituem a experiência do papel. Um livro pode ser grifado, emprestado a outros e guardado", diz Souza. Uma pesquisa do instituto GfK mostra que, pelo menos por enquanto, ele está certo: segundo o levantamento, 67% dos brasileiros desconhecem os e-books.
Dados do mercado editorial mostram que a produção e a venda de livros cresceram acima da média da economia em 2009, quando o PIB brasileiro recuou 0,2%. A produção de livros saltou 13,5%, para 386 milhões de exemplares. Por conta da queda do preço médio do livro, o faturamento do setor subiu 2,1%, para R$ 3,4 bilhões (veja quadro).

fonte: jornal "O Estado de S. Paulo."

domingo, 15 de agosto de 2010

Estou lendo: "Mulher de Pedra"

Tariq Ali
Quem conhece um pouco do meu profile sabe que eu arrasto um trem pelo escritor paquistanês Tariq Ali. Sua visão crítica e sua ironia fina me conquistaram desde a primeira linha. Por isso eu não sosseguei enquanto não comprei o livro que faltava para completar a série "Quinteto Islâmico", que até agora tem 4 livros publicados. (Como é, Tariq? Cadê o quinto???).
"Mulher de Pedra" retrata o ocaso do Império Otomano através dos olhos de Nilofer, filha de uma família de aristocratas turcos. A cada parágrafo o livro me envolve e emociona. Vou colocar um trecho especialmente cativante que li ontem; uma conversa de Sara com a Mulher de Pedra - a estátua que serve de confessionário à seguidas gerações de mulheres da família de Iskander Pasha.
"Ontem eu vi Suleman num sonho.Não sonhava com ele há quase vinte anos, Mulher de Pedra. Você se lembra quando vim aqui pela primeira vez? Eu ainda era jovem. Trazia no peito uma grande dor e uma filha que me sugava o leite. Nilofer tinha uns sete ou oito meses. Lembro-me de ter vindo aqui chorar aos seus pés. Sei que você não tem pés, mas, se algum dia eles tivessem existido, teria sido aí que chorei naquele dia. Pensei tê-la ouvido falar. Uma voz me perguntou porque chorava e lembro-me de ter dito: 'O homem que eu amo partiu para muito longe.' E então ouvi sua voz me dizer uma coisa muito triste e muito bonita: 'O amor é a saudade que a flauta sente do juncal de onde foi arrancada. tente esquecer.' Eu tentei, mas jamais consegui esquecê-lo. Acabei, contudo, acostumando-me com a ausência dele. O tempo não é capaz de curar nossas feridas mais profundas, mas consegue amenizar a dor."
Bem, vou continuar a leitura. Quando terminar, posto aqui uma resenha completa. Até agora, estou amando.

BJS da Drica ;-)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Mudanças

Nosso pessoal trabalhando
Olá pessoal!

Durante os próximos dias estaremos efetuando algumas mudanças no layout e nas seções do CataLivros. Por isso, não estranhem um link que não funciona ou se virem um gadget flutuando num lugar esquisito. Isso passa.

Em breve estremos de cara nova, prontas para postar muitas novidades para vocês.

BJS da Drica ;-)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

#dricanaflip + #clubenaflip: quer saber o que rolou de bom?

Paraty e suas pequenas surpresas
Pois é, estou de volta a boa e velha Jixx, morrendo de saudade de Paraty!
Quem nunca foi àquela cidade, deve ir. É linda, aconchegante e cheia de surpresas. Pena que não tive muito tempo para ficar por lá. Mas já está no roteiro das próximas férias.
A FLIP foi o máximo. Gente de todos os lugares, de todas as tribos, de todas as línguas. Um caldeirão de idéias, sons, cores, cheiros e histórias.
A casa do Clube de Autores
A casa do Clube de Autores estava linda. Aconchegante, decorada com simplicidade e bom gosto, fez com que eu me sentisse visitando velhos amigos. Aliás, fomos super bem recebidas. Eu, a Lívia Terra e a Kátia Calegaro, da revista Cultura Total. Nossa mesa sobre "Internet e Redes Sociais - Abrindo as Portas para a Literatura Independente" foi uma resenha daquelas! Em breve o Clube vai colocar o podcast (poutz, se ansiedade matasse...)  com nosso bate-papo, que rendeu prá lá uma hora.
De brinde, no sábado, véspera de nossa mesa, eu e a Lívia curtimos uma palestra com o Ferréz, escritor, rapper e cronista da revista "Caros Amigos".
Drica, Ferréz e Lívia
Ativista social, fundador da 1DASUL - griffe de roupas totalmente produzidas na comunidade de Capão Redondo (e que, infelizmente - eu soube hoje - está fechando a loja porque não tem como competir com os produtos made in China, via trabalho escravo).
Nem preciso dizer o quanto o trabalho do Ferréz impressiona, nem o quanto foi bom o papo. No fim, eu a Lívia tivemos um momento de pura tietagem, com direito a livro autografado e foto com o "híbrido de virgulino Ferreira e Zumbi dos Palmares".
Depois do Ferréz, saimos para circular pelo Centro Histórico de Paraty, em plena ferveção do sábado de FLIP. Pegamos o finalzinho da palestra do Ferreira Gullar, circulamos na (enoooorme) livraria da FLIP, espiamos a Tenda dos Autores e nos surpreendemos com a diversidade de talentos espalhados em cada esquina da cidade.
O staff do Clube com Ferréz (esq) e Aurélio Simões, escritor
E pra cima da galera do Clube de Autores, eu vou mesmo é rasgar seda!
O Ricardo Almeida - mentor do Clube, o cara que sonhou e fez acontecer -  é um doce. Ok, ok,só estou elogiando porque nós não tivemos que disputar o mesmo café, deixemos isto bem claro (daí a coisa ia ficar feia, rssss). Até porque o Paulo Santos - misto de fotógrafo, contra-regra, promoter, hostess, barista e psicólogo especialista na alma feminina - jamais deixou minha mug ficar seca!
Ricardo Almeida e Drica Bitarello
Além desses dois, tive o prazer de conhecer o Fernando Amaral, um gentleman, autor da capa (linda!!!!!!) do diário de bordo da FLIP (em breve vocês vão conhecer) e o cara que viabilizou a parte técnica das mesas (além de ter me convencido - pasmem! - a gravar um vídeo pro Clube). Sem falar que ele sempre tinha um "pitaco" certeiro pra dar no bate-papo.
No finalzinho da mesa recebemos também a visita da Gabi Marsico, escritora, roteirista e uma das coordenadoras da FlipZona. Ahn, eu mencionei que esta mocinha tem apenas 14 anos? Pois é...
Drica e Gabi Marsico
Depois da mesa, das (longas) despedidas e das promessas de nos vermos todos em breve nesses eventos literários da vida, caímos de vez nos braços de Paraty. Curtimos o mar, o céu azul-de-brigadeiro, a brisa gostosa da beira do cais e o casario histórico que nos leva a outras épocas quando a vida, se não era mais fácil, ao menos era mais simples.
Katia Calegaro, Drica Bitarello, Felipe M. e Tiago Amaro
Na volta para casa, curtimos ainda a paisagem da BR 101, entre o verde da mata atlântica e o azul perfeito do mar, fechando a FLIP (para nós, porque Paraty bombou até de madrugada!) com chave de ouro.
Por fim, para encerrar essa postagem, deixo os agradecimentos ao staff do Clube de Autores, a Lívia Terra (amiga, suporte técnico e navegadora) e a Kátia Calegaro e toda equipe da Revista Cultural e do projeto Frente Literária. Sem essas pessoas e a dedicação com que elas se engajaram, não teria dado tão certo!

BJS da Drica :-D

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Acompanhe #clubenaflip

Olá pessoas!

Estou convidando vocês para participarem de nosso evento lá em Paraty. Leitora(e)s, blogueira(o)s e demais interessados em literatura e cultura de modo geral vão poder curtir um domingo diferente em nossa companhia na casa (linda!) montada pelo Clube de Autores para nos receber.

"Internet e Redes Sociais ‐ abrindo portas para a literatura independente".

Domingo, 08/08, a partir das 10:30h.
Curadora: Drica Bitarello
Convidada: Kátia Calegaro e projeto "Frente Literária"
Mediadoras: Drica Bitarello e Lívia Terra


A mesa vai ser aberta a intervenções do público. Quem quiser nos acompanhar, mandando perguntas via Twitter, é só adicionar @ClubedeAutores e @DricaBT. E para saber o que rolou nesses 3 primeiros dias de FLIP, é só dar uma espiada no blog do #clubenaflip

LOCAL: Sede Temporária do Clube de Autores - Rua da Lapa, 375 - Centro Histórico de Paraty

ENTRADA GRATUITA


Site oficial da FLIP: www.flip.org.br

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

1 I Pad ou 100 livros, eis a questão!

Se você pudesse escolher, o que você iria querer? Pois é, que dúvida, né? Esta é a mais nova promoção do site Skoob, a rede social totalmente voltada para a literatura e os leitores.
Além do prêmio escolhido, que será sorteado entre os participantes, haverá também o sorteio de 100 livros entre todos aqueles que entrarem na promoção.
Como participar? Simplezinho. Basta clicar AQUI e se cadastrar no Skoob. O cadastro gera um cupom eletrônico assim que confirmado. E você pode ganhar mais cupons convidando seus amigos para a brincadeira.
Legal, né? E não custa nada participar!
E aí? Vai tentar a sorte?

BJS da Drica

PS: semana que vem eu volto a ativa aqui no blog, com TODAS as novidades da FLIP!

domingo, 1 de agosto de 2010

Estou na web, logo, existo

As editoras começam a despertar para o fenômeno que mobiliza bilhões, tornou-se o lazer principal dos jovens paulistanos e facilita a busca do consumidor certo

A Ediouro mergulhou nas mídias sociais. Um dos gigantes do mercado nacional, optou claramente pelo esse admirável mundo novo da web para angariar leitores. O superintendente Luiz Fernando Pedroso é taxativo nesse sentido: “Há mais de um ano, a Ediouro investe em duas mídias: pontos de venda e mídia social. Por que? Porque nelas você vai direto a quem interessa.”

Sem nenhuma dúvida. No ponto de venda está o comprador típico. midiasNos diversos canais da mídia social, o editor pode escolher também múltiplas opções, na grande maioria convenientes para o negócio. Algumas boas razões são:

  • a cada segundo e meio, isto é, entre um gole de café e outro, um blog é criado na web;
  • 360 milhões de internautas frequentam o MySpace, bem como 150 milhões comparecem ao FaceBook e mais 60 milhões ao Orkut;
  • 72% dos jovens entre 18 e 24 anos, da cidade de São Paulo, são usuários de alguma mídia social em sua rotina diária, percentual que continua alto na população da metrópole, de 45% (Ibope Media, Agosto de 2009);
  • 24 milhões de usuários ativos, no Brasil, estão inscritos no Orkut (Nielsen Online);
  • 84% dos usuários brasileiros do Orkut acessam a rede ao menos uma vez por dia; desses, 63% o fazem várias vezes;
  • em julho passado, o Facebook superou 1 milhão de usuários no Brasil.

O mundo  virtual concentra pessoas e ideias, além de toda a energia do universo. Nada detém o fenômeno que caminha para ser a mais poderosa forma de mídia jamais imaginada.

Entre os assuntos prediletos de quem acessa o Orkut, estão fotografia (67%), geral (65%), tecnologia (65%), jogos (57%). E compras, gaveta preferida por 63% dos que entram no Orkut. A mina é logo ali, senhores editores!

Mas o que é a mídia social, que não se consegue descrever a não ser imaginando grandezas exponenciais?

A Giz Editorial domina o assunto. Comandada por Ednei Procópio, que tem dado palestras na CBL criou o  (www.livrus.com.br), plataforma on line que se vale dos recursos de mídia social para compartilhar informações. O acesso é gratuito, aberto a qualquer autor e editoras. Qual a vantagem? “O leitor, o usuário ganha informação, a gente acabou criando o ‘Orkut dos livros’, em vez de você adicionar amigos, você adiciona livros.” A receptividade tem sido boa?

“Por parte dos escritores, sim, responde Ednei. Por parte das editoras, não. As editoras não têm a mínima ideia do que seja isso. Não sei se é porque nós não comunicamos, não sabemos dizer o que é, ou se eles é que são mal informados.”

O desenvolvimento da Livrus exigiu US$ 25 mil, com expectativa de retorno em três anos, que ele espera cobrir com publicidade de outras editoras. Compete com pelo menos duas redes. Uma é www.olivreiro.com.br. Outra é www.skoob.com.br.

Entusiasta da nova tecnologia, ­Ednei não sente, no entanto, essa chama aquecendo os colegas de ofício:

“É muito fácil comunicar determinados livros nas redes sociais porque elas são feitas exatamente de comunidades formadas por pessoas que se juntam em torno de um tema comum. Então, as pessoas que estão na internet, conectadas, já sabem o que querem. Tem a comunidade dos leitores do ‘Crepúsculo’, assim como tem a comunidade dos leitores do ‘Pequeno Príncipe’. Ou então, tem os que se dividem entre os que gostaram da literatura da geração beatnik, ou ‘eu adoro Paulo Coelho’. Mas eu nunca vi uma editora dentro de uma comunidade de internet, de modo atuante. Quem cria o perfil do escritor é o fã.

Tem uma comunidade do H.P. Lovecraft, criador de literatura fantástica, com mais de 990 mil leitores, e o perfil dele é fake. Só que as pessoas se associam àquele perfil porque ali está escrito que é o H.P. Lovecraft. Ora, a pessoa que mantém aquela comunidade ativa é alguém que curte, sabe o que as editoras estão publicando dele. Se sair uma coletânea nova, ele avisa a comunidade. Contudo, a editora que vai publicar a coletânea não utiliza a rede para avisar os leitores, que são consumidores certos”.

Ednei vai mais longe na análise, insistindo no exemplo H. P. Lovecraft:
“O nosso editor não sabe que, se quiser publicar um título novo, basta abrir o Facebook ou o Orkut – que no Brasil é mais forte – para perceber que já existe uma comunidade de amantes do Lovecrat. E que lá pode fazer a pesquisa de campo, no ato, e checar o que os fãs querem ler. Você economiza tempo da pesquisa de mercado e ganha tempo fazendo propaganda direta para o público-alvo. Esse público-alvo também é o formador de opinião, é ele que vai, depois, disseminar a informação para todo o resto”.

Essa atitude participativa, na qual os especialistas em comportamento enxergam uma nova era da humanidade, algo como ‘Eu estou na Web, portanto, existo’, leva ao compartilhamento das ideias. A divisão em tribos resulta dessa compulsão natural. Há o jovem ligado em astrofísica, o adolescente que sonha participar de uma revolução hip-hop, a mulher decidida a lançar um novo estilo. “A mídia social funciona por isso”, explica Procópio, da Giz. “O mercado editorial tem que começar a pensar com essa cabeça, porque, se a AM/FM migrou para a internet, se o jornal migrou para a internet, se a audiência da televisão caiu, o raciocínio tem que ser outro.”

“A tecnologia permitiu a aproximação entre as pessoas, e as redes sociais são justamente a resposta a esse anseio”, afirma Juliana Sawaia, gerente de Marketing do Ibope Media.

Em outras palavras, qualquer frase, imagem, vídeo, áudio ou conceito colocado em um Twitter (32 milhões de usuários), Sonico (38 milhões),  YouTube (mais de 100 milhões de vídeos) e tantos outros canais, instantaneamente vira uma ação coletiva de milhares. Também instantaneamente, esses milhares, que podem ser milhões de acordo com a proposta do canal vira uma comunidade do tipo ‘Eu amo contos de terror’, ou pode se transformar em um blog em homenagem a Michael Jackson. As bolas de neve crescem sem parar.

A Ediouro ocupou espaço no YouTube. No seu canal, projeta vídeos dos principais lançamentos. Durante a Bienal do Livro no Rio, em setembro, promoveu o ‘BlogBook’, que vai transformar em livro a história dos melhores blogs, eleitos pela comunidade. Inscreveram-se 120, divididos em 12 categorias. Os melhores serão editados pela Ediouro, que desse modo estabelece uma via de mão dupla. “O poder da internet é inquestionável, explicou Newton Netto, diretor da Singular, empresa do grupo. O poder do livro também é inquestionável. Nada melhor que trazer os astros da internet para o mundo literário.”
A Frog, que se define como ‘agência anfíbia’, atende a Ediouro, e o diretor Roberto Cassano garante: “Estamos mergulhados até o pescoço. Vivemos redes sociais 24 horas por dia”.

E que ações a Frog  empreende para a Ediouro? Elas buscam cativar público? Prospectar tendências de mercado?
“Atuamos de forma abrangente, incluindo o planejamento estratégico das ações, definição do plano de ação para cada livro, individualmente, produção de sites para os livros, criação e gestão de perfis e comunidades em redes sociais, incluindo Twitter, Orkut, Facebook, blogs, You Tube e redes sociais focadas em literatura”.

“Uma perna importante do projeto é o mapeamento de líderes de opinião para cativarmos. Uma das coisas que fazemos é enviar livros para pessoas que terão afinidade com o tema e/ou autor/estilo para que eles possam compartilhar sua opinião sobre o livro com seus leitores/amigos. As resenhas são totalmente livres, sem qualquer compromisso por parte do blogueiro. Ele pode não falar nada ou até criticar.”

Cassano confirma, a Frog vem tendo sucesso nas ações para a Ediouro. Mas não revela o santo:

“Há livros que trabalhamos com excelente resultado que jamais teriam funcionado da mesma maneira se dependessem de mídia de massa. Conseguimos atuar cirurgicamente em nichos, e muito do mercado editorial se baseia em nicho. Na verdade, com as redes sociais, fica cada vez mais evidente que toda mídia cada vez mais é de nicho. Existem nichos pequenos e nichos gigantes, mas no momento em que as pessoas se reúnem por compartilharem interesses em comum, elas funcionam como um ente coletivo, um nicho.”

O publicitário sente o pulso do momento, raciocina:

“Com a queda nas vendas de CDs, os livros são os itens de maior giro. O mercado editorial, inclusive com o crescimento dos e-Books e a chegada de leitores eletrônicos, como o Kindle, foi, é e será profundamente impactado pelas redes sociais.
Felizmente ou infelizmente, embarcar nesse novo mundo não é uma opção”.

Mais, com menos. Esse é um dos segredos. Quando se fala em investir em publicidade e marketing, as editoras se retraem. À exceção dos megalançamentos de Paulo Coelho ou Chico Buarque, a verba é sempre pequena para os custos proibitivos de um anúncio de jornal, revista ou televisão. Sem mencionar tratar-se de público de composição pulverizada, caso das tevês, situação dramática quando se trata de livros, consumidos pela minoria das minorias, no Brasil.

Ednei Procópio, o especialista em mídias sociais, compara as situações:

“As editoras não descobriram que, se criarem o perfil ou a comunidade do livro na rede social, se criarem o blog do livro ou do escritor, vão ganhar muito. O pessoal reclama: ‘tem muito lixo no Orkut’. Sim, mas isso acontece por não existir o mediador da informação, que o mercado editorial deveria implantar. Poderia fazer isso, mas não faz, prefere a assessoria de imprensa, que é cara, o anúncio no jornal, que sai caro, a resenha, que sai atrasada. O editor não percebeu que o público-alvo não está no Estado, nem na Folha, nem na revista Bravo ou na Veja. O público-alvo está dentro dos blogs temáticos. O nome já diz: ‘sou leitor de ficção científica’, ou ‘adoro poesia’. Então, basta entrar e dizer, ‘bom dia, gente, somos da editora tal e viemos aqui dizer que vamos montar um livro com essa temática’. E a comunidade começa a perguntar, como vai ser? quem é o escritor?...E o editor responde e interage. A Giz descobriu que é mais barato investir na mídia social, que é gratuita por natureza, ou melhor, de custo próximo ao zero, do que investir em anúncio.”

Nesse aspecto, um canal de mídia social, bem escolhido e adequado no tempo e no espaço, tem potencial para atingir o público-alvo pretendido.

A Editora SBS, especializada em idiomas – sua cartilha ‘Bem Vindo’, que ensina português para estrangeiros, está perto da marca dos 100 mil exemplares e é adotada por universidades de renome como Harvard –, usa a mídia social para dar apoio aos professores, seus clientes. Presente no Twitter e no Orkut, oferece o programa ‘Virando a Página’, que propõe atividades para as aulas. “São 417 ideias, explica Susanna Florissi, diretora editorial. O professor vê a ideia e a adapta à sua aula. Isso gera uma espécie de criação coletiva, da qual todos querem participar. Veja o caso da Wikipedia. Ninguém recebe para redigir um verbete, mas adora contribuir. No ‘Virando a Página’, que tem vários anos na internet, montamos o que chamamos de e-talks. São palestras, textos redigidos em torno da atividade do docente, algo que gera muita leitura, posts, perguntas. E nem é on line. O texto da palestra é colocado, depois os participantes vão postando suas perguntas que em seguida, são respondidas pelo autor do conteúdo e aí vai se desenvolvendo esse trabalho coletivo.”

A SBS, sigla que quer dizer Special Book Service, ampliou sua atuação, ingressando há dois anos no nicho CTP (livros científicos, técnicos e profissionais).  Fundada em 1985, expandiu suas operações para Argentina e Peru.

As mídias sociais estão a um toque do computador.  Não é por outra razão que gigantes empresariais como Claro, Natura, Coca-Cola ou Boticário aderiram ao sistema, criando inclusive a figura do ‘mediador de mídia social’. É um funcionário que, adestrado em técnicas específicas, tem a missão de monitorar o diz-que-diz em relação à empresa. Ele não pode se envolver, apresentar-se como representante, sua antena deve detectar tendências, rumores.  Em uma dessas comunidades bloggers, usuárias queixaram-se de que o perfume Egeo Dolce Woman, do Boticário, havia desaparecido.

O mediador passou a informação aos canais competentes. O perfume acabou voltando às prateleiras e realizou-se uma ação para avisar as blogueiras interessadas.

Como o espaço da mídia social é aberto e, em tese, livre, não há limites para ações mercadológicas, desde que, claro, não sejam invasivas nem perturbem a sensação de controle do usuário, que pode sair do ar quando quiser – apenas para reafirmar que ele, internauta, é o patrão do mundo web.

Por que Obama explodiu na rede
A vitória de Barack Obama, o primeiro negro eleito presidente dos Estados Unidos, deve muito à mídia social. Uma palavra de ordem criada por seu staff determinava: ‘Crie ações onde as pessoas estão, não onde você quer que elas estejam’. A partir do site mybarackobama.com desenvolveu-se uma rede social onde os eleitores puderam criar blogs próprios para debater, sugerir ações para o comando da campanha, desdobrar minissites para arrecadar doações ou organizar eventos. Na verdade, a campanha de Obama não pedia doações, apenas instalou widgets de contribuição em redes já existentes. Desse modo, os eleitores foram motivados e mobilizados através das ferramentas de interação que se espalham pelas mídias sociais.

Eram dezenas, centenas de mídias gravitando em torno do sol Mybarackobama.com, tipo Facebook – sendo um oficial, outro intitulado I’m strong (2,3 milhões de filiados) -, Black Planet, Myspace, MiGente, Twitter (130 mil seguidores), Glee, YouTube (14 milhões de views apenas do clip ‘Yes, We Can’, interpretado por Will.i.am). No YouTube, foram lançados concursos de vídeo para manter a mobilização dos eleitores, o que transformou esse canal na ferramenta de comunicação mais utilizada. Discursos, depoimentos, videoclips, tudo o que se possa imaginar, foram colocados em canais de vídeo sharing.

Os espaços oficiais, ou seja, trabalhados pela direção da campanha, eram pensados segundo uma metodologia eleitoral, cobrindo todas as etnias possíveis e os diferentes perfis psicográficos. No auge da batalha, eram 16 redes sociais com o selo oficial, que incluía Flickr, Digg, Eventful, Linkedin, Eons, Glee, MyBatanga, AsianAve. E mais de 500 grupos no Facebook criados de maneira espontânea pelos simpatizantes.

Os números fundamentam como se deu o milagre. Pela internet, trafegaram 87% de toda a arrecadação da campanha. Apenas em setembro de 2008, as doações chegaram a US$ 100 milhões, e 93% dos contribuintes pagou menos de US$ 100.
A goleada infligida ao republicano John McCain teve volume astronômico nas mídias sociais. Exemplos:

YouTube – Barack Obama: 1 800 vídeos postados,134 mil inscritos, e 19,5 milhões de exibições;
John McCain: 330 vídeos, 29 mil inscritos, 2,1 milhões de exibições.

Twitter – de Obama: mais de 130 mil seguidores, 263 atualizações; contagem regressiva que mobiliza para o dia D da votação;
McCain: menos de 5 mil seguidores; não havia interação e houve apenas 25 atualizações em toda a campanha; não recomendou, ao seguidor, que votasse no dia da eleição!

Fonte: http://www.panoramaeditorial.com.br