Prateleiras

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Filme - Muita Calma Nessa Hora

Em tempos do pesadão (e ótimo) "Tropa de Elite 2", também sobra espaço para produções nacionais mais leves e muito divertidas. É o caso da comédia "Muita Calma Nessa Hora", de Felipe Joffily. Bem despretensiosa, leve e engraçada, é um ótimo programa para quem está a fim de relaxar, rir e suspirar.
 Cheia de situações típicas da fase pós-adolescência, a comédia conta a história de três amigas: Mari (Gianni Albertoni) a amiga linda, mas que está de saco cheio de ser a "pegadora" da turma; Aninha (Fernanda Souza), a eterna indecisa, e Tita (Andréia Horta), a mocinha-pra-casar que é traída pelo noivo às vésperas do casamento. Depois de um porre daqueles, as três partem para uma viagem à Búzios, decididas a fazerem tudo diferente e começarem vida nova. Na estrada conhecem Estrella (Debora Lamm), uma riponga que também está indo a Búzios, em busca do pai desaparecido.
No melhor estilo "American Pie", o filme aborda as situações com muita leveza, garantindo risadas do início ao fim. O elenco, egresso quase que cem por cento dos programas humorísticos da TV, encarna aqueles tipos comuns, que você pode encontrar na balada, na academia, no shopping e até mesmo no apartamento ao lado. Tem o chefe tarado (Lúcio Mauro, impagável), a avó pirada (Laura Cardoso), os pais alienados (Marcelo Tas e Louise Cardoso), o playboyzinho chicleteiro (Lucio Mauro Filho, hilário), o bando de babacas que sai pra "zoar e pegar" e não pega nem catapora (Hermes e Renato), o surfista gato (Dudu "tuuuuuudooooo de bom" Azevedo), o mauricinho paulista (Marcelo Adnet, perfeito), entre outros.
Uma das surpresas que eu tive foi com Gianni Albertoni. Quando vi o nome dela no elenco, torci o nariz para mais uma modelo-que-virou-atriz. Mas até que ela mandou bem e atuou direitinho, encarnando sua Mari sem exageros, escapando de fazer o papel de si mesma.
Com cenas bem feitas, que aproveitam ao máximo o cenário paradisíaco de Búzios, ritmo ágil, trilha sonora animada e sem apelações desnecessárias, "Muita Calma Nessa Hora" é aquele filme para ver com as amigas , relaxar e se divertir.

FICHA TÉCNICA:
Muita Calma Nessa Hora
Gênero: Comédia
Duração: 92 min
Ano de lançamento: 2010
Site oficial: http://www.muitacalmanessahora.com.br
Estúdio: Casé Filmes / Idéias Ideais
Distribuidora: Europa Filmes / Riofilme
Direção: Felipe Joffily
Roteiro: Bruno Mazzeo, João Avelino e Rosana Ferrão, baseado em argumento de Rik Nogueira e Augusto Casé
Produção: Augusto Casé e Rik Nogueira
Música: Pitty e Leoni
Fotografia: Marcelo Brasil
Direção de arte: Valéria Costa
Figurino: Valéria Costa
Edição: Marcelo Moraes

TRAILER OFICIAL:

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Orgulho e Preconceito e Zumbis

"Orgulho e Preconceito e Zumbis" é um dos mais famosos representantes de um novo filão literário, chamado mash up novels. Hein? Isso é de comer ou de passar no cabelo?
Bom, eu explico. Apesar do nome que soa como marca de chiclete, "mash up novel" é um novo gênero(?) cuja proposta é pegar um clássico da literatura (que seja, de preferência, de domínio público) e revisitá-lo, adicionando outra perspectiva ao enredo, outros personagens, enfim, modificando avacalhando a história que o pobre - e presumidamente já falecido autor - teve um puta trabalho para escrever.
Eu até diria que isso é um derivativo das fans-fics, mas a diferença é que nas fics o pessoal CRIA um novo enredo usando seus personagens e histórias favoritos.
Eu comprei o livro de Seth-Grahame Smith por curiosidade, e também por gostar de Jane Austen. A editora Intrínseca fez uma grande divulgação nas mídias sociais e despertou minha atenção. Ai de mim...
Logo no início a célebre frase de abertura de Jane Austen “É uma verdade universalmente aceita que um homem solteiro, dotado de uma certa fortuna, precisa de uma esposa.” é contaminada pela praga dos não-mencionáveis: "É uma verdade universalmente aceita que um zumbi, uma vez de posse de um cérebro, necessita de mais cérebros."
O começo do livro até que é interessante, com a mescla do texto de Jane Austen com as inserções dos mortos-vivos e as consequências da presença deles na ilha de Sua Majestade. No entanto, lá pela terceira ou quarta página a coisa começa a ficar cansativa. O autor não fez uma releitura do livro, nem sequer uma adaptação; ele simplesmente inseriu os zumbis no contexto, cortou umas sequências aqui e ali, emendou outras, encheu a história de tiradas escatológicas e conseguiu uma boa assessoria de marketing.
A Elizabeth Bennett que surgiu dessa mistura deixou de ser a mulher sensível, inteligente e de aguçado espírito crítico para se tornar um híbrido de ninja assassino com uma mala-sem-alça. Ela é enjoada, vive se irritando por qualquer coisa e repetitivamente tem ímpetos de ataravessar alguém com sua katana. Ou seja, parece que está eternamente na TPM. O Sr Darcy, tão interessante no original, fica perdido, xoxo, sem personalidade alguma. Tanto ele quanto o Sr Bennett - cuja ironia sutil sempre fez um delicado contraponto com a de Elizabeth - viraram coadjuvantes menores do que os tais zumbis.
Pouco se salva da miscelânea que Seth-Grahame criou. Uma delas é o "Guia de Discussão para o Leitor" que foi inserido no fim do livro, a única coisa que me fez rir de verdade. Jane, a mais velha e mais doce das Bennett, vira uma Barbie sem sal e, embora o autor tente nos convencer do contrário, é difícil vê-la como uma matadora de zumbis tão furiosa quanto Elizabeth. O participação do Sr Wickham é outro desastre. Seu destino grotesco e despropositado ao lado de Lydia parece um fragmento de outra história, que foi incorporado de qualquer jeito ao texto, deixando a sensação de que você está lendo algo (mais ainda) sem pé nem cabeça.
Ou seja, o livro é de dar medo. No mau sentido.
Pior de tudo é saber que o gênero vai virar (mais uma) modinha e que já começaram a pipocar mash ups por aí, na mesma velocidade exponencial com a qual vampiros se expandiram pelo mundo. [bate na madeira]
E para horror dos horrores - provando que além da praga dos não-mencionáveis, a praga da cara-de-pau também assola o mundo - "Orgulho e Preconceito e Zumbis" está para virar filme.
Depois dessa, de uma coisa eu tenho certeza: Jane Austen deve estar prestes a se erguer do túmulo. Pois se revirando dentro dele, ah, isso ela já está!

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Após homenagem a Guimarães Rosa, "Flip mineira" encerra e já pensa em 2011

A Literata, primeira festa literária de Sete Lagoas (MG), encerrou, no último final de semana, com um debate sobre a infância na obra de Guimarães Rosa, o homenageado do festival. Os organizadores avaliaram o evento como um sucesso e já fazem planos para uma segunda edição em 2011.
Durante quatro dias, foram promovidos debates sobre o autor de "Grande Sertão: Veredas" e sua influência na cultura. Também houve oficinas de incentivo à leitura, feiras do livro e artesanato, campanha de doação de livros. Cerca de 2.500 pessoas (principalmente estudantes) participaram da Literata, segundo estimativa da organização.
"O evento foi bem recebido pela cidade, teve uma repercussão positiva. Cerca de 1.000 crianças visitaram a feira", avalia o curador nacional da Literata, o jornalista e escritor Jorge Fernando dos Santos.
Para viabilizar o evento, a montadora Iveco, que tem fábrica de caminhões em Sete Lagoas há 10 anos, contou com o patrocínio de sua fornecedora de lubrificantes, a Petronas.
"Estamos satisfeitos com os resultados do evento, que alia cultura, educação e cidadania, e estamos dispostos a patrocinar uma segunda edição", afirmou Andréa Fonseca, gerente de marketing da Petronas.
As mesas-redondas reuniram nomes como o cantor e poeta Arnaldo Antunes, os escritores Moacy Scliar, João Paulo Cuenca, a poeta Alice Ruiz e a filósofa Marcia Tiburi, entre outros.
Foi também inaugurada uma placa alusiva ao centenário de Guimarães Rosa, seguida de uma cavalgada de tropeiros, revivendo a tradição dos cavaleiros sertanejos, presente na obra do autor de "Sagarana".

Infância
Entre os debates promovidos pela Literata, um dos mais interessantes foi sobre a infância na obra de Guimarães Rosa com a arte-educadora Selma Maria, idealizadora do projeto "Meninos Quietos", e os ilustradores Nelson Cruz e Roger Mello. Eles defenderam uma valorização dos brinquedos artesanais e uma infância menos consumista e menos aprisionada.
"Hoje a criança está podada, institucionalizada, presa ao computador. Ela não pode brincar de sentir medo, não pode se machucar. A infância foi terceirizada. O adulto não deixa mais a criança ficar quieta", disse Selma, que apresentou brinquedos feitos por crianças do interior, alvo de sua pesquisa.
São carrinhos feitos de restos de madeira, botões, tampinhas, latas, carretéis, entre outros materiais. O uso excessivo do computador pelas crianças foi criticado.
"Temos de voltar a construir nossos brinquedos, a sentar com as crianças e a esquecer o mouse", disse Nelson Cruz, cujos livros de ilustração passaram de mão em mão com a plateia.

Reportagem de Sérgio Ripardo
Fonte: (Livraria da Folha - 22/11/2010) http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/834301-apos-homenagem-a-guimaraes-rosa-flip-mineira-encerra-e-ja-pensa-em-2011.shtml

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Filme - Morto ao Chegar

"- Qual o assunto?
- Um assassinato.
- Quem foi assassinado?
- Eu."
Capa do DVD, lançado aqui pela Touchstone | Eu tenho!
Assim começa um ótimo filme para tardes chuvosas. Morto ao Chegar (D.O.A. - Dead on Arrival), de 1988, é a refilmagem de seu homônimo de 1950. Porém, diferente da primeira versão em que o personagem - e vítima - principal é um contador, neste aqui temos Dexter Cornell (Dennis Quaid), um professor de Língua Inglesa cujo assassinato (em andamento, diga-se de passagem) conduz toda a trama.
Cheio de reviravoltas, becos sem saída e detalhes plantados de maneira dissimulada nos planos e diálogos, o filme nos deixa atentos, prendendo a atenção do início até o final. Aliás, um ótimo final.
Mesmo não sendo um "grande clássico", D.O.A. tem uma direção competente, que soube recriar a atmosfera dos filmes noir sem, no entanto, deixar a produção caricata. O início em P&B, com a clássica sequência inicial behind-the-back, acompanhando a caminhada de Dexter até o distrito policial, é uma citação do original de 1950, que serve para colocar o espectador no clima do filme.
Chocado, perseguido pela polícia e em condições precárias de saúde, Dexter começa uma corrida contra o tempo na tentativa de descobrir quem o envenenou e porquê. Meg Ryan faz Sydney Fuller, uma aluna de que, acidentalmente, acaba se tornando a maior aliada de Dexter na busca pelo seu assassino.
A trilha sonora é bacana e escandalosamente '80s. Canções marcadas pelas famosas baterias eletrônicas - que infestaram a época como uma praga - e letras que falam de sexo, desesperança e decadência. Destaque para "Don't Bang The Drum" de The Waterboys, que pontua a cena da corrida de Dexter, e para o classicão "Rebel Yell", de Billy Idol (outro ícone dos anos 80).


Curiosidades:
- D.O.A. foi um dos três filmes que Dennis Quaid e Meg Ryan fizeram juntos enquanto estavam casados. Os outros dois foram "Viagem Insólita" e "A Força de Um Passado".
- A história foi filmada também em 1969, na produção australiana intitulada "Color Me Dead".
- A historinha da pistola de pregos já foi usada em diversos outros filmes, como, por exemplo "007 - Cassino Royale"
- O filme começa em P&B, passa a colorido assim que Dexter começa a narrar os acontecimentos das últimas horas, e vai se tornando monocromático a medida que a condição dele vai se deteriorando e que chega mais perto da solução do próprio assassinato.
- A sigla D.O.A. (Dead on Arrival) é um jargão profissional usado para indicar que o paciente estava clinicamente morto na chegada dos primeiros socorros ou no momento de sua entrada no hospital.

Citações:
Syd: - Eu queria passar uma noite com você, não a Eternidade!
***
Dex: - Eu me sinto horrível. Eu pus você no meio da confusão.
Syd: - Não, não se incomode. Você grudou em mim. Me arrastou seminua pela rua. Atiraram em mim. A maioria das garotas sonha a vida toda com isso.
***
Mrs Fitzwaring: - Como descobriu o assassinato?
Dex: - Sou médium.
Bernard: - Bom. Então já sabe o que vai acontecer com você.
***
Dex: - É tarde demais para mim.
Syd: - Isso é a vida... Bem aqui. Agora. Aceite... Por favor.
***
Dex: - Acha que pode roubar a paixão de alguém? Roubou apenas papel e tinta.
***

Espanha bate recorde em compartilhamento de livros

Em Madri, foram espalhados 30 mil livros para que população leia e coloque de volta na rua

Madri, na Espanha, foi cenário neste domingo da liberação de 30 mil livros, a maior da história, dividios por pontos aleatórios da capital com o objetivo que as pessoas os leiam e, depois, os coloque novamente na rua para outros, uma atividade conhecida como "bookcrossing".
Entre os livros depositados por fontes, bancos e outros lugares estratégivos da cidade, estão exemplares do último Vargas Llosa.
Com este "bookcrossing", no qual participaram 600 voluntários, bateu-se o recorde em número de livros liberados, porque nunca antes se havia colocado tantos livros na rua para compartilhamento em uma ação do tipo, segundo explixa o coordenador dos voluntários, Antonio Gárgoles.
"Esta iniciativa superra em mais de duas vezes qualquer projeto similar a este, em quanquer outra cidade", diz. Cada um dos exemplares compartilhados pelos voluntários está coberto com plástico para protegê-los em dias chuvosos, como ocorreu neste domingo em Madri.
O coordenador sabe que alguns leitores não irão devolver o livro, mas confia que predominará a boa educação e a vontade de compartilhar as obras. A iniciativa reuniu também cantores, atores, modelos, jornalistas, humoristas, escritores e esportistas que autografaram seu livro favorito ao leitor anônimo que o encontrar na rua.
No Brasil, a Biblioteca Mario de Andrade, em São Paulo, tem um projeto semelhante. A organização Livro Livre também é outra entidade com a iniciativa.

fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,espanha-bate-recorde-em-compartilhamento-de-livros,639948,0.htm?kakakakaka